Pus a minha vida à venda ou aluguel,
Expus em placas, anúncios em jornais e arranha-céus.
Achei que ela não valesse nada,
E expus pra saber quem daria valor,
Mas como o fogo não queima a água,
Meu frio foi mais intenso que um mero calor.
Ninguém apareceu, eu não sabia se viveria,
Não vi quem morreu, mas a esperança persistia.
O clima de velório tomou conta da minha solidão,
Olhares tristes me contaram que sozinho não era só o meu coração,
Cada olhar que passava diante da minha vitrine,
Perguntava-me o que eu estava fazendo ali,
Mas no fundo da tristeza não tem quem se anime,
E a venda é o que se pode redigir.
Viver é um plano, e morrer é um mérito,
Não aceito dinheiro ou cartão de crédito.
Compre-me com momentos de felicidade,
Compre-me com promessas de amor,
Desminta-me, me mostre as doces verdades,
Mostre as curas pra toda essa dor.
Muitos corações tristes se vendiam e alugavam em demasia,
O meu é apenas um contando esse desprezo em poesia.
(Hugo Arcanjo Oliveira)
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