Caem às chuvas do teto do céu,
Os anjos choram minha heresia,
Lágrimas de sangue escorrem fel,
Molhando as páginas de poesia.
Em pé, em prantos, um peito flechado,
Em mãos uma rosa ensangüentada;
Como pode um anjo apaixonado
Por um pobre anjo que não tem asas?
Anjo mais pecador que eu, amoroso,
Seu escarlate é negares meu olhar;
Como pode um divino harmonioso
Amares quem estás a pecar?
Tu és o vento que corta minhas asas,
É o ar que respiro, é o remédio que mata,
É a batida no peito, me faz voar,
Devido direito és poder te amar.
Ser magnífico, anjo por fora, humano por dentro,
Mesmo sem asas, aqui e agora, estás em meu centro.
Oh meu Senhor, permita-me ser amado e amar,
Mas se amar for pecado, serei honrado em pecar.
(Hugo Arcanjo Oliveira)
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