segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A Quase-Crônica do Tédio.


Aqui estou sentado na varanda, sob a árvore que esfria a minha tarde,
Observando o azul do limpo céu disputando espaço com dourados raios
Solares entre as folhas; a brisa ao meu rosto agrada, o meu cabelo balança
Como em comercial de xampu, meus olhos ressecam como o sertão,
E alagam-se como enchente no centro da cidade.
Ouço as folhas em atrito, ouço os pássaros em cantorias diferentes,
De longe se ecoam as guerras de um casal trazidas pela mesma brisa
Que quando em vez traz o cheiro do chá de boldo da vizinha,
Quando um solitário sino toca tirando a minha concentração:
“Picolé do Seu Zé! Picolé do Seu Zé!” que é quando a poesia do feriado
Sai da varanda e vaga a rua vazia, pelas estradas amarelas, secas pelo Sol,
Sai pelo rastro dos carros que se vão, onde encontra calçadas quase não pisadas,
Tijolos recheados de nada, poetas, portas e paredes reprimidas,
Atrás de postes de fiações infinitas.
Uma trovoada soa estranha nesse céu aberto, os aviões seguem para o feriado
De muitos que não teriam a mesma paciência que tenho de retratar o belo
Da poesia desse meu exílio no tédio das 3 da tarde.

(Hugo Arcanjo Oliveira)

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