segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Guarda-Chuva, O Guarda-Costas.



Sob a cachoeira que decai dos céus,
A água parece vir de baixo à cima,
Molhando meus pés que buscam seu fel,
Derramado nas avenidas e esquinas.

Eu vou seguindo a água descendo nas ruas,
Ouço o seu grito no clarear do trovão,
A sua doce fragilidade nua e crua,
Despertada no aperto do coração;

Suas lágrimas na chuva disfarçadas,
O seu triste olhar exposto em outdoor,
Teu brilho apagado numa calçada,
Tão perto e tão distante; sua dor maior.

Tudo parecia errado, tão revolto,
Sentei-me ao teu lado, ofereci conforto,
Até alisei o teu cabelo molhado,
Consegui um sorriso amargo, mas torto;

A vida é sorrir, o sofrer não é oriundo;
Não é tão fundo. A superfície é depois.
Saiba que em meu ombro cabe todo o mundo.
No guarda-chuva cabemos nós dois

(Hugo Arcanjo Oliveira)

Nenhum comentário:

Postar um comentário