Afogou-se nas
incertezas, porque nunca quis enxergar a felicidade,
E foi assim,
vivendo num mundo de amarguras e solidão,
Que seguiu em
frente, pois já tinha se acostumado com a dor,
E aquilo tinha
virado monotonia para si.
Às vezes se
perguntava por que a vida era tão injusta consigo;
Mas em nenhum
momento conseguia olhar para o seu reflexo;
E assim
continuou a seguir, com todos os seus questionamentos interiores,
Todos os seus
medos, apenas se seguiu, pois sabia que a vida era pacata demais
Para arriscar em
algo que não fosse tão “normal”.
Os dias
passaram-se, e então acordou com uma vontade de viver,
Pela sua primeira
vez, queria viver de verdade;
Tinha forças que
nem o mesmo sabia que teria,
E foi lutando em
direção ao espelho, ver o que havia em seu interior.
E se enxergou
uma bela alma de coração livre,
Que poderia voar
a qualquer momento; suas asas então enormes,
Um anjo jamais
visto, com toda força e serenidade do mundo;
Uma paz ensurdecedora
cobria o seu rosto;
Então abriu as
janelas por trás do espelho e voou,
Pois fora aos
céus se sentir vivo.
(Beatriz Carvalho)

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