O dia vira noite, isso é tão
medonho,
Como se teu colo foste tão estranho,
Mas é apenas hipótese,
confesso.
E eu queria que fosse como
aos sonhos,
Que a cada amor, variam-se
os tamanhos,
O nosso, imenso, um
universo.
Em realidade, é tão bruto,
tão terno,
Só vaidade, sem vão, teu
fruto é emérito,
Cabe a qualquer um nessa
imensidão.
E eu durmo com os meus olhos
abertos,
Mendigo as migalhas do teu
pão e sexo;
Luto a não perder-te na
multidão.
E os falsos sonhos que
atravessam o olhar,
Dizem que a minha solidão um
dia vai acabar;
Enquanto eu penso em te
tirar do coração.
(Hugo Arcanjo Oliveira)

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