Vento fresco,
sombra de árvore,
Com o canto dos
pássaros, o choro de uma viola;
Gigantesco e
forte alarde,
Belos anjos e
astros sobre o céu de quem aqui chora;
Ao olhar, é
tanta beleza lá fora,
Ao sentir, é
tanta frieza aqui dentro.
Olha a casa bela
que aquela moça mora,
É ela quem mora
aqui no meu peito.
A rude dor que
me causastes,
Foi menor que o
amor que te sinto;
A ignorância que
te tratastes,
Foi menor que o
pesar aflito.
Tua beleza és um
quadro extraordinário,
O vento brinca
com o teu cabelo;
E logo eu, teu
amante, teu relicário,
Poderia ao teu
lado dar-te um aconchego.
Enquanto tu me
deixas indefeso,
Passas por mim e
finge que não existo.
Aqui sem minhas
asas estou preso,
Contando as
horas nesse labirinto.
E quando tu vais
embora e deixa teu cheiro,
Então tu me ignoras
e me deixa em desprezo;
Sou um nada agora,
sou um futuro em desespero;
Isso apavora. Não
mereço o teu respeito?
E em todos os
dias encostado às árvores,
Curioso, continuarei
a te observar,
Esperando perceberes
ao passares,
Que a ti existe
um anjo, que estou a lhe espiar.
Estou esperando
tua troca de olhares,
Pra ver toda
essa agonia no meu olhar.
Sentir pena, e
as penas me depenarem,
E então tu
entendas, e queiras perdoar.
(Hugo Arcanjo
Oliveira)

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