domingo, 10 de fevereiro de 2013

Espião.



Vento fresco, sombra de árvore,
Com o canto dos pássaros, o choro de uma viola;
Gigantesco e forte alarde,
Belos anjos e astros sobre o céu de quem aqui chora;

Ao olhar, é tanta beleza lá fora,
Ao sentir, é tanta frieza aqui dentro.
Olha a casa bela que aquela moça mora,
É ela quem mora aqui no meu peito.

A rude dor que me causastes,
Foi menor que o amor que te sinto;
A ignorância que te tratastes,
Foi menor que o pesar aflito.

Tua beleza és um quadro extraordinário,
O vento brinca com o teu cabelo;
E logo eu, teu amante, teu relicário,
Poderia ao teu lado dar-te um aconchego.

Enquanto tu me deixas indefeso,
Passas por mim e finge que não existo.
Aqui sem minhas asas estou preso,
Contando as horas nesse labirinto.

E quando tu vais embora e deixa teu cheiro,
Então tu me ignoras e me deixa em desprezo;
Sou um nada agora, sou um futuro em desespero;
Isso apavora. Não mereço o teu respeito?

E em todos os dias encostado às árvores,
Curioso, continuarei a te observar,
Esperando perceberes ao passares,
Que a ti existe um anjo, que estou a lhe espiar.

Estou esperando tua troca de olhares,
Pra ver toda essa agonia no meu olhar.
Sentir pena, e as penas me depenarem,
E então tu entendas, e queiras perdoar.

(Hugo Arcanjo Oliveira)

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