quarta-feira, 3 de julho de 2013

Gente do Nordeste.


No inverno a lua fica doidinha,
Só pá vê a festiva arvorada,
E os fógo extóra de aligria,
Sobre o pífano na passarada.

E o sol acorda no fundo do arraiá,
Pra ajudá a arvorada ao povo acordá,
Pra festejar a grandeza do povo nordestino.

Povo simples d’um mundo complexo,
Seno ô não analfabeto, mai-zé esperto,
Trata cum aligria os disatino.

Sertanejo que acorda cedin cedin,
Devede o que tem de poquin in poquin,
Pá ruma de bacurin dá de cumê.

Trabaiá duro, dá cumida a gado mago,
Casaca de côro pá protejê do sol amargo,
Andá dez arroba pá punhá água pá bebê.

Espantano a fome e o zarubu,
Que iludiro quem correu pro sul,
E lá sofre e deseja um dia vortá.

Sofrimento que é sentido na seca,
Água que só se acha longe da cerca,
E no tanque de barro um dia só vai durá.

Fome enganada no cumê da palma,
E na palma da mão fica a alma,
Que guarda o nordestino instinto.

No dia inquéss’aligria se aflora,
Num inxeste fauna nem flora,
Que se cumpare a esse povo bunito.

Seja Zé, Ciço, Maria, Severino, Binidita,
Seja Assaré, Ariano, Virgulino, ô Ciça,
O nordeste do Brasil é o coração.

Tem orgúi do forró, do trio pé de serra,
Derrama cum luta seu suor em sua terra,
E rega a fulô que desabrocha o São João.

Seja maguela, cabiludo ô banguela,
Teja descalço ô num pá de chinela;
De noite guarda o forró sob os lampião.

Com mío, fuguêra e pinga no inteiro,
Aboio, zabumba, triango e pandêro,
Intonce a sanfona lembra o rei Gonzagão.

Antes de deitá na rede e na esteira,
A fé vai rezá os terço pú uma goteira
Que mostre que a chuva chegô ao sertão.


(Hugo Arcanjo Oliveira)


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