Olho o
relógio... E o que essa porra me diz, finalmente?
Que ainda tenho
tempo? Ou que meu tempo já passou e eu não vi?
Que as horas são
sinônimas de vitórias? Ou de morte a conta gotas?
Que essa pele
enrugada é experiência? Ou saúde mal tratada?
Mendigo na
calçada, encolhido num pedaço de pano,
Criança pedindo
esmola, e uma velha com a perna descascando,
Uma mulher com
uma criança nos braços fuçando latas de lixo,
E eu sentado num
bar enchendo a cara com os amigos!
Que hipócrita do
caralho eu sou, em?!
Faço versos de
realidade,
Mas fujo dela em
alta velocidade.
Rindo em demasia
das minhas “mazelas”,
E atropelando
com meu olhar de pesar, as alheias!
Olho o
relógio... E o que essa porra me diz, finalmente?
Que o tempo
passa? Ou eu que passo pelo tempo?
Que existo nesse
mundo? Ou que já morri e não percebi?
Que sou um ser
humano? Ou um mísero verme insolente?
(Marcus Joseph)

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