domingo, 6 de outubro de 2013

A Porra do Relógio


Olho o relógio... E o que essa porra me diz, finalmente?
Que ainda tenho tempo? Ou que meu tempo já passou e eu não vi?
Que as horas são sinônimas de vitórias? Ou de morte a conta gotas?
Que essa pele enrugada é experiência? Ou saúde mal tratada?

Mendigo na calçada, encolhido num pedaço de pano,
Criança pedindo esmola, e uma velha com a perna descascando,
Uma mulher com uma criança nos braços fuçando latas de lixo,
E eu sentado num bar enchendo a cara com os amigos!

Que hipócrita do caralho eu sou, em?!
Faço versos de realidade,
Mas fujo dela em alta velocidade.
Rindo em demasia das minhas “mazelas”,
E atropelando com meu olhar de pesar, as alheias!

Olho o relógio... E o que essa porra me diz, finalmente?
Que o tempo passa? Ou eu que passo pelo tempo?
Que existo nesse mundo? Ou que já morri e não percebi?
Que sou um ser humano? Ou um mísero verme insolente?


(Marcus Joseph)


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