quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

As Nove Estrofes de Uma Lápide.


Uma hemorragia de lágrimas,
Soluços de desapego,
Um lindo colar de prata
Enrolado entre meus dedos.

Esse sangue em minhas mãos,
A dor metralha meu peito.
Quem duvidaria que não?
Quem isso pode ter feito?

Ela subia a ladeira sorridente,
Tinha uma vida inteira pela frente,
E ai está deitada neste leito frio.

Um tropeço. Um passo. A bela e o demente.
Sem preço. Pago à bala. Por um colar foi-se inocente.
E quem preencherá este eterno vazio?

Chega Maria, chega logo José!
Chora o lindo dia. Grita quem puder!
Joelhos dobrados, mãos juntas aos céus,
Gritos ecoavam, amargou-se o mel.

Um corpo estirado, a farda escolar,
Foi branca, ela avermelhou e findou preta.
A filha, a amiga, nunca irá voltar.
Morte injusta nunca será desfeita.

O morro parou pra ver quem morreu.
Sob velas e lágrimas clama a Deus.
Teus olhos fechados não irão sonhar.

Linda, ela sonhava em ser engenheira,
Agora veste o avental de madeira.
Coroa de flores pra princesa deitar!

Só restaram saudades e memórias
Em poesia, nove estrofes sem refrão.
Uma lápide acima, com a tua história,
De um buraco a sete palmos do chão.



(Hugo Arcanjo Oliveira)


Nenhum comentário:

Postar um comentário