São quase duas da manhã e eu estou
acordado,
Longe, em devaneios, confabulações;
Ao som do meu ventilador quebrado,
E o ronco, em outro quarto, de minha
mãe.
Vento artificial, não vem da janela,
Essa, tanza, com uma porta torta.
Traz-me lembranças de uma vida velha,
Que hoje me parece estar mais que morta.
Eu mais nunca ri com os mesmos dentes,
Meus bons amigos estão mais distantes,
Minha alma, gasta, não é mais tão inocente;
Resolvi gritar à virar fumante.
Penso, meus momentos não serão extintos,
Porque são quase três, e eu ainda não
dormi.
Amanhã terei de acordar as cinco,
E eu não viverei mais como eu vivi.
(Hugo Arcanjo Oliveira)

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