A madrugada é meu templo sagrado,
Quando estou sozinho fico sem fim,
Com papéis, lápis, blues, uísque e
cigarro,
A boemia e a bonanza tomam a mim.
No meio termo entre o insano e o
sensato,
Não atrapalhe meu momento de paz.
Minha Gibson conversa com meu gato,
Sobre tudo isso que vem e que vai.
A poesia é minha amiga mais calada,
Ela desenha meus gritos mais brutais.
Os pensamentos voam em sua jornada,
Buscam soluções pra fins irracionais.
Só em dizer algo a quem não ouve,
Dar ideias a quem não pensa,
Dar ação ao comodismo,
É duro, deprime e cansa.
Respirando o ar na fresta da caverna,
Conheço aquela luz, não é de lanterna.
Me isolo onde posso ser livre – meu lar.
Lá só os fortes sobrevivem a pensar.
(Hugo Arcanjo Oliveira)
Dedicado à Bia Carvalho.

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