sexta-feira, 4 de abril de 2014

A Saga do Cometa Amarelo I.





Eu torço e espero que o velho cometa
De fevereiros passados cometa
De novo a arte de abalar meu planeta
Quem sabe em junho ou dezembro que vem.

Trazendo o brilho aos meus olhos chorosos,
Traga a resposta aos meus lábios piedosos,
Devolva a criança aos meus sonhos idosos.
Desde a sua ida nunca mais dormi bem.

Estrelas cadentes mal podem me enganar,
A tua frente, os rios são mais doces que eu, teu mar.
Tu caíste em águas rasas, não vai se afogar.
Saíste a minha vista a se iludir por outrem.

Meu sal te purifica, minha água te afoga,
Mas minha promessa é pesada e te apavora.
Como vou te trazer com o prazer de outrora?
Me assusta achar que a maior chance não te convém.

A maior superfície do mundo é água salgada,
A maior chance de ti é cair em mim fragmentada;
Tento a sua volta dando minhas coordenadas,
Mas não posso mudar tua rota se tu não vens.

(Hugo Arcanjo Oliveira)


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