Eu a encontrei no bar das lamentações,
Naquele espaço entre um drinque e outro,
Uma mulher privada de emoções,
Em trapos, um riso falso no rosto.
Metáforas e um cigarro na boca,
Seus lindos olhos me diziam verdades,
A vida lhe ensinara muita coisa,
Substituiu a saudade pela coragem.
Ela disse: “As estrelas não são mais
Que alguns furos na cortina da noite.”
Risonha, todo o seu sonho ali jaz,
Torto e morto no despertar de um coice.
Ácida, não quer ser celebridade
Nem em filme ou páginas policiais.
Ávida, busca ser essa selvagem
Que demonstra querer em teus sinais.
Na conversa torta, levei-a ao meu lar,
Mal abri a porta e já veio a me tocar,
Ansiosa por calor e tudo que faltava,
Enquanto eu fazia amor, ela transava.
As minhas mãos e a minha boca percorreram
Dos calos dos teus pés às tatuagens em tuas costas,
E encontraram na curva do teu seio
O batimento que tanto me importa.
Seus cabelos gradientes e tingidos,
Talvez ela nunca fosse elogiada,
Pouco recebeu carinho nem lírios,
Meio perdida, sabia bem onde estava.
Depois de viajar pelos nossos corpos,
Ela encontrou o sono, e eu mil pensamentos,
Ao acordar, parecia voltar aos mortos,
Com vergonha, não aceitou pagamento.
"Fica comigo, ou então a levo pra casa,
Te dou um abrigo, você está embriagada."
Penoso, a deixei ir por aquela porta,
Mas quando o mel é bom, a abelha volta.
Se o que fez foi fuga ou refúgio,
Ou se foi por culpa ou por tédio;
Você partiu sabendo lá no fundo
O quão sentiu e que encontrou o remédio.
(Hugo Arcanjo Oliveira)

puta que pariu... muito foda bixo!!!
ResponderExcluirporra... muito foda... intenso e sutil ao mesmo tempo!!!
ResponderExcluirValeu, cabra! Intenso e sutil, esse é o nível que quero atingir e manter! Esse caso foi verdadeiro em maioria das partes :D
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