Realmente, os
opostos se atraem, disso não tenho dúvida.
O que eu queria
saber é: como é viver ao lado do oposto!
É quase impossível
entrar em equilíbrio quando
não se tem muito
sobre o que concordar.
É complicado
mostrar-lhe as coisas mais lindas do seu mundo
se o oposto já
tem uma opinião formada e muito sólida
sobre o que é
bonito no mundo.
Não é fácil para
um casal que tem gostos musicais
completamente
diferentes achar uma música que
toque seus
corações e os faça dizer
no seu intimo
“essa é a nossa música”.
No começo é
legal estar com uma pessoa que vê
o mundo
diferente de você, rende conversa.
Porém, com o
tempo vai ficando doloroso ver
que o que mais
te faz feliz na vida não muda
o humor da
pessoa que você ama.
Aos poucos,
aquele cafuné que você tanto esperava receber
nos momentos
difíceis vão ganhando ainda mais importância
para a sua
sobrevivência.
O que parece
exposição para um, para o outro não ia
passar de um
beijo em um lugar qualquer,
um beijo que não
ia importar a mais ninguém, só a eles.
O que trava um,
solta a carência do outro.
Os dias vão se
tornando complicados,
as conversas vão
sendo cada vez menos compreendidas
por ambas as
partes, e ai vem a pior parte: eles descobrem
que mesmo sendo
tão diferentes acabaram permitindo
que nascesse um
amor tão real quanto as diferenças.
E o que fazer
com um amor que nasce como flor no asfalto?
Como escutar o
que ele tem pra dizer se alguma coisa
o trava na hora
que você mais quer escutá-lo?
Como fechar esse
buraco no peito que foi aberto
quando o oposto
entrou com todas as suas diferenças,
forçando a porta,
mudando a decoração… Como?
Como sair de perto
do que te puxa pra junto?
— Em?
(Kim Santana)

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