quinta-feira, 11 de outubro de 2012

E Se...





E se as flores não tivessem espinhos?
E se amores não tivessem carinhos?
E arvores não tivessem passarinhos?
E se meus pés caminhassem sozinhos?

E se armas disparassem lindas flores?
E se feridas não causassem dores?
E se o tato omitisse seus sabores?
Se Magalhães não expusesse os amores?

Se esse café não for o da vizinha?
E se chover e estiver sem sombrinha?
Se a escova de dente não for a minha?
E se na hora não tiver camisinha?

E se o oceano não fosse tão profundo?
Se o planeta fosse apenas um mundo?
E se o racismo não fosse tão obscuro?
Se no fundo ninguém tivesse um furo?

E se a Amazônia não fosse um pulmão?
E se todos tivessem coração?
E se ela retornar a ligação?
O que é que eu deveria dizer então?

E se o homem na lua foi uma farsa?
E se a ironia for uma ameaça?
E se o pentágono for uma suástica?
E se aquela imensa bunda for flácida?

E se a escravidão tivesse morrido?
E se o arco-íris não fosse colorido?
E se as crianças nascessem sem umbigo?
E se a lágrima for de um bom sorriso?

E se do blues o rock não nasceu?
E se só o Elvis Presley quem não morreu?
E se não existisse tchau nem adeus?
Quem irá pagar a conta do Abreu?

E se tiver na cara o que se sente?
E se o inteligente for um demente?
E se o culpado for mesmo o inocente?
Mas por onde anda toda aquela gente?

E se não existisse nem céu, nem chão?
E se ninguém tivesse religião?
Se a fome morresse apenas com pão?
Se a pena for à morte e não a prisão?

E se o salário tivesse um aumento?
E se a saudade for um só lamento?
E se pudéssemos voltar no tempo?
Se pudéssemos controlar o vento?

Se os olhos não fechassem ao beijar?
E se os olhos não abrissem ao acordar?
E se a saudade doesse a machucar?
Se nós não pudéssemos duvidar?

E se as borboletas odiassem os jardins?
E se esse poema um dia tiver um fim?
E se o “se” soubesse o quão infinito és?
Não existiriam nem dúvidas, nem mãos, nem pés.

(Hugo Arcanjo Oliveira)

Nenhum comentário:

Postar um comentário