Então a prata brilhou na pedra,
Uma pedra que era de prata,
A lua brilhara e não era preta.
Noite escura e preta sob a lua de prata,
O eclipse fez a luz presa e trouxe a praga,
E toda a nobre beleza ficou escassa.
A falta de amor aqui embriaga,
A música tocando é brada,
Minha pele ficara pálida,
E meu coração à lua apela.
Uivando tão alto como um lobo,
A lua ouve, ela aponta de novo;
Amando profundo, sou um louco,
Qualquer dor do mundo era pouco.
Ao sereno gritando à serena
mulata,
Para provar do veneno que dela exalta.
Oh mulata, mortal és para mim a prata,
Mas eu a tomarei em meus braços e garras árduas.
O vento sopra, o eclipse se desmanchou,
Só a mim sobra, e a lua olhando para onde estou,
E a dama dos meus uivos ressurge sobre a praça,
E do meu culto surge à coragem que me mata.
(Hugo Arcanjo Oliveira)

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