quinta-feira, 13 de junho de 2013

O Quarto do Quarto.


Um quarto escuro, janelas fechadas,
Um uísque bem puro, internas palavras;
Dois dedos na agulha de uma vitrola,
E ao medo uma fagulha de vitória.

Um piano, violinos e um canto lírico,
O engano atribuído a cacos de vidro.
Vinho ou sangue? Dor, profunda saudade!
Tão viva me segue, ardor que me invade.

Se tanto quanto à saudade estais vivas,
Mostre ao pranto a validade da vida,
A este que alaga o chão e alarga o meu peito,
Triste, o coração perdoa seus defeitos.

Os violinos querem tocar tuas lágrimas
Aos teus olhos que escorrem melodias,
E minhas duas mãos querem tocar tua alma,
E aos teus ouvidos promessas vadias.

Pare de dar sinais de quando em vez,
Não venha as cinco pra voltar às seis.
Deixa-me ser teu amor, não teu maior fardo,
Quero ser o teu primeiro, não o quarto.

Venha, eu preciso tê-la em meus braços a sós,
Mas só me sobram travesseiros e lençóis.
Perdoa-me se aos teus princípios sou um ignorante,
Mas teu sexo sem compromisso é apaixonante.

(Hugo Arcanjo Oliveira)

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