terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Saudade.


Não faço a mínima ideia do que escrever,vou fazer uma ligação entre a caneta e o coração:
Há dias em que eu paro pra pensar em nós e lembro-me de todos os momentos, risadas, lágrimas solitárias, e as nossas lágrimas que derramamos juntos, tanto de alegria, quanto de tristeza.
De todas as nossas promessas, algumas que antes eram tão verdadeiras, hoje, tão vazias. Lembro-me de todas as despedidas, sem pressa de sair do seu abraço. Há dias que eu me pego com os olhos inundados de saudade. Ouço as músicas, as nossas músicas, a nossa trilha sonora, ouço pessoas cantado cada uma delas de uma forma tão vazia, mas meu coração borbulha de saudade a cada refrão. Já me aconselharam e me mandaram fazer coisas alegres, que não me fizessem lembrar-me de você, mas como fazer coisas alegres e não me lembrar de você? Será que acham que porque acabamos de uma forma tão triste, nossa história não era alegre? O que não sabem é que tudo que eu faço me lembra de você, porque em tudo você deixava a sua marca, e hoje a cada lembrança, eu recolho uma marca, que deixa você por inteiro tatuado no meu coração, com uma camisa escrita: "saudade". E, adivinhe, eu ia escrever, e não fazia ideia sobre o que, mas nessa ligação, entre a caneta e o coração, surgiu você.
Eu poderia estar fazendo qualquer coisa, menos enchendo o meu pedaço pequeno de papel com esse pedaço gigante de saudade. Se você soubesse o quanto meus bloquinhos de notas já estão exaustos de serem rabiscados pelas lembranças e saudades, às vezes molhados com algumas que deixo escapar, além do meu travesseiro, que se falasse, ou pudesse reagir, me daria várias lições de moral todas as noites quando deixo que as lembranças tomem conta da minha mente, às vezes penso: "e se meu travesseiro me ouvisse, será que ele choraria comigo, ou me desligaria assim que sentisse que as mais dolorosas lembranças suas estariam chegando?" Se você soubesse o quanto já escrevi sobre você, ou o quanto já doeu em mim quando me perguntaram: "escreveu pra quem?" E eu sorri e falei que não era pra ninguém. Ah! Se você soubesse...
Você não é a minha metade, nunca foi, e sempre fui inteira, você não me completava, você me acrescentava, acrescentava alegria onde já havia alegria, amor onde já havia amor, às vezes você subtraía, subtraía as tristezas que tentava me invadir, e hoje você ainda acrescenta, mas acrescenta à saudade que ninguém consegue subtrair.

(Marina Martins)


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