Amor, vista-se, hoje
não iremos transar,
Mas não ponha a minha
camisa não,
Estou mal e preciso
desabafar,
Há tantas mágoas em
meu coração.
É
brochante, eu sei, te ver nua me ansiando,
Sua
cara, decepcionei, a me ver chorando...
Desculpa,
negar fogo não é tão fácil assim,
A gruta
que me jogo é um vão e ácido fim.
Hoje quando vim pra
cama mais cedo
Não era doido para
sentir tesão,
Não era desejando te
encher de beijos,
Eu só queria ver em
ti compreensão.
Tu
sabes que te tenho tal como porto
Do
navio sem casco, de velas sem sopro
A que
sou ao não ter ventos a meu favor,
Me
ancoras no agora no tempo que estou.
Dê-me
colo, seja o meu terceiro ombro
O qual
eu ponho a cabeça pra chorar,
Vem, me
fortaleça, traduza os meus sonhos,
Ouça-me,
as paredes não vão reclamar.
Não
traga nada pra beber, estou sem sede,
Se
trouxer, pode ser que eu o rume na parede!
Me
alise o rosto, me acalme, me dê dengo,
Adoce
esse gosto, inale meu veneno.
Não
precisa me explicar como as coisas são,
A vida
há de derrubar em certa ocasião.
Mas
cada dia é mais forte e eu me sinto frágil,
E só tu
me guias ao norte onde tudo é fácil.
Converse
comigo, deixa a luz acesa,
Cubra-me
do frio, beija e me aqueça,
Me
faças rir como só tu sabes fazer,
E se eu
dormir, me abrace o quanto puder,
E
quando o sol raiar, me acorde pra eu ir ver.
(Hugo
Arcanjo Oliveira)

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