terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Terceiro Ombro.


Amor, vista-se, hoje não iremos transar,
Mas não ponha a minha camisa não,
Estou mal e preciso desabafar,
Há tantas mágoas em meu coração.

É brochante, eu sei, te ver nua me ansiando,
Sua cara, decepcionei, a me ver chorando...
Desculpa, negar fogo não é tão fácil assim,
A gruta que me jogo é um vão e ácido fim.

Hoje quando vim pra cama mais cedo
Não era doido para sentir tesão,
Não era desejando te encher de beijos,
Eu só queria ver em ti compreensão.

Tu sabes que te tenho tal como porto
Do navio sem casco, de velas sem sopro
A que sou ao não ter ventos a meu favor,
Me ancoras no agora no tempo que estou.

Dê-me colo, seja o meu terceiro ombro
O qual eu ponho a cabeça pra chorar,
Vem, me fortaleça, traduza os meus sonhos,
Ouça-me, as paredes não vão reclamar.

Não traga nada pra beber, estou sem sede,
Se trouxer, pode ser que eu o rume na parede!
Me alise o rosto, me acalme, me dê dengo,
Adoce esse gosto, inale meu veneno.

Não precisa me explicar como as coisas são,
A vida há de derrubar em certa ocasião.
Mas cada dia é mais forte e eu me sinto frágil,
E só tu me guias ao norte onde tudo é fácil.

Converse comigo, deixa a luz acesa,
Cubra-me do frio, beija e me aqueça,
Me faças rir como só tu sabes fazer,
E se eu dormir, me abrace o quanto puder,
E quando o sol raiar, me acorde pra eu ir ver.

(Hugo Arcanjo Oliveira)


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